Diego Lanzieri, Advogado

Diego Lanzieri

Cuiabá (MT)

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Diego Lanzieri, Advogado
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Félix Novaes, Advogado
Félix Novaes
Comentário · há 7 anos
Esse é o nosso Brasil, sempre com saídas "criativas" para um problema grave. Eu não me surpreenderia que a medicina num futuro próximo também seja assim. Desse modo ninguém poderá reclamar que ficou sem médico ou no caso do advogado, sem defesa. Entretanto, um dia a conta chega. Já estamos abarrotados de cursos jurídicos, temos mais juristas que clientes. Penso que todos os cursos devem ter ser ingresso democrático, apartidário, sem cor, sem raça,mas meritocrático.

Infelizmente temos hoje muitos graduados oriundos de uma política de aproveitamento de notas, emergentes do ensino médio e fundamental. Esses alunos pagam um severo preço hoje, são deficientes em diversas áreas da linguagem, escrita, exatas etc. Imagine-se a junção de um ensino de base ruim, somado a uma graduação péssima, o que poderemos obter?

Como assentei anteriormente, acredito que a graduação deva ser democrática em seu sentido mais amplo, entretanto manter a qualidade impar e indiscutível se deve ter como norte. Por outro lado, vivemos no Brasil, queremos os números e a solução rápida. Lastimavelmente educar pessoas leva tempo. Nossas mãe demoraram ( em tese) 18 anos para nos educar, e ainda assim cometemos erros bobos. Devemos parar e pensar num brasil daqui a 50 anos e não 5 anos.

Outra preocupação será o "preconceito" dentro do próprio meio jurídico. Nos dias de hoje já existe o "preconceito" entre números de OABS ( quem é o mais antigo). Já pensou como será com os advogados formados a distância . O mundo jurídico tende a ser cruel. Penso que o MEC poderia ser mais efetivo em melhorar o acesso para a graduação com o FIES, ou outra forma de ingresso, mas garantir que o estudante saia apto a minimamente ser aprovado no exame da ordem. Sabemos que o exame da ordem é rígido, mas não é impossível. Em suma, o caminho mais curto nem sempre é o melhor. Tenho observado que o brasileiro não quer mais número, ele quer qualidade.

Sei que muitos EADs são de excelência, mas com todo respeito principalmente na advocacia nada melhor que a prática para revelar um novo mundo. O acadêmico tem uma árdua tarefa de cotejar a academia com o mundo prático. Eu sei que as tecnologias estão aí, mas o Direito é uma matéria humana, feita por fatos humanos e somente vivendo com humanos a habilidade de compreende-los se torna um pouquinho mais fácil.

Assistir um vídeo gravado de uma matéria, ou poder travar um debate com o professor e os colegas para mim é isso que cria um jurista. O debate e a dialética produzem um indivíduo crítico e versátil para resolver problemas. Eu não sei se o mesmo resultado se produziria se mantivéssemos um jovem saído do ensino médio assistindo vídeos com teorias prontas se despertaria algum senso crítico ( característica fundamental do operador do Direito). Talvez teríamos conceitualistas sendo produzidos em massa. N'outra quadra, um profissional que já passou por essa fase inicial ( formação do senso crítico jurídico), no meu sentir já está mais apto a desenvolver-se através de videos, pois já tem uma bagagem mínima. Posso estar errado, mas esse é o meu pensamento hoje, quem sabe eu me surpreenda com novos modelos.

Por Artur Félix Novaes
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